Eleições consolidam ascensão de PSDB e PMDB e declínio do PT

A derrota do PT nestas eleições municipais já era esperada. Os petistas governam atualmente 15 das  92 maiores cidades brasileiras, que representam quase 40% do eleitorado. Podem chegar a no máximo oito no dia 30 de outubro, quando ocorre o segundo turno. Após o pleito deste domingo, a principal constatação é que o vácuo de poder deixado por quem administrou o Governo Federal por quase 14 anos renderá frutos aos maiores artífices doimpeachment de Dilma Rousseff, o PSDB e o PMDB.

Os tucanos levaram 12 prefeituras no primeiro turno, inclusive a joia da coroa, São Paulo com João Doria, e outra capital estadual, Teresina, com Firmino Filho. Ainda disputam outras 19 prefeituras no segundo turno e podem se consolidar como o maior beneficiário desse momento político, com 31 executivos municipais. Já o PMDB levou sete na primeira etapa, sendo uma capital (Boa Vista, com Teresa Surita), e ainda tem chance em outras quinze.

Porto Alegre é o principal exemplo de como o cenário está desfavorável aos partidos ditos de esquerda e que o vento está a favor dessas duas legendas. A disputa na capital gaúcha será entre Nelson Marchezzan Júnior (PSDB), que surpreendeu ao liderar a corrida sem que nenhuma pesquisa eleitoral tivesse filtrado isso, e Sebastião Mello (PMDB). Raul Pont (PT) e Luciana Genro (PSOL), ficaram distantes da vaga na segunda etapa.

Ao mesmo tempo em que a urna agora tem reforçado esse papel de liderança de tucanos e peemedebistas, ela já antecipa o que se pode esperar para a eleição presidencial de 2018. Considerada como uma disputa com menor importância, a escolha de prefeitos e vereadores reflete diretamente no número da bancada federal de cada legenda. Analistas afirmam que, quando um partido elege vários prefeitos, ele tem boas chances de aumentar seu número de parlamentares no Congresso Nacional e, consecutivamente, ampliar os recursos disponíveis no fundo partidário, sua exposição e as chances de governar o país ou se aliar com que o fará.

Disputa interna na base
A briga por espaço entre os dois principais aliados de Michel Temer já pode começar antes mesmo das Eleições 2018. Em seu primeiro escalão, há ao menos um tucano que sonha em disputar a presidência, o senador José Serra, que hoje é ministro das Relações Exteriores. Assim, o prazo de validade de Serra na função, caso ele não migre para o PMDB, pode ser encurtado.

Outra constatação ao analisar os 92 maiores eleitorados brasileiros – exclui-se Brasília porque nela não há disputa municipal – é que o PSD, o PSB e o PPS, outras duas legendas que interferiram na destituição de Rousseff também estão colhendo os louros nessa disputa. As três juntas hoje administram 19 municípios. No primeiro turno, já levaram seis e podem chegar a 29. Depois deste domingo, ainda há 55 cadeiras de prefeito sob disputa.

O número pode crescer, já que até o fim de semana, o Tribunal Superior Eleitoral havia registrado 71 impugnações de candidaturas apenas para prefeituras. Ou seja, algumas votações poderão ser revistas e resultados finais podem ser alterados. Um dos casos ocorre em Montes Claros, Minas Gerais. O prefeito Ruy Muniz (PSB), que teve sua prisão decretada, não desistiu de concorrer, mas como sua candidatura estava impugnada, todos os votos dados a ele foram considerados nulos. Se nos próximos dias o TSE revisar essa impugnação a cidade, que teoricamente deu a vitória a Humberto Souto (PPS) poderá enfrentar um segundo turno ou ter o próprio Muniz como prefeito reeleito.

A derrocada petista também resultou na perda de espaço para quem esteve ao seu lado até os últimos dias em que governou o país. O PCdoB, que hoje administra três das 92 maiores cidades do país, pode chegar a no máximo duas. O PDT vai ficar estancado, hoje tem nove prefeituras e se ganhar todas as que ainda disputa, pode no máximo empatar esse número. Em Brasília, já há quem diga que quando os petistas decidirem se reinventar (se é que farão isso realmente), terão de descobrir uma fórmula semelhante para os demais.

 

Leave a Reply

You can use these HTML tags

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>